Lava Jato: PGR denuncia senador Valdir Raupp por recebimento de propina
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o senador Valdir Raupp pelo recebimento de propina de R$ 500 mil, a partir do esquema de corrupção estabelecido na Diretoria de Abastecimento da Petrobras. Segundo a denúncia, o valor foi pago pela empresa Queiroz Galvão, sob o disfarce de doações eleitorais "oficiais" para a campanha ao Senado de 2010. Também foram denunciados os assessores parlamentares Maria Cléia Santos de Oliveira e Pedro Roberto Rocha, que teriam contribuído para o recebimento da propina.
O procurador-geral explica que o repasse de propina teve por finalidade manter Paulo Roberto Costa no cargo de diretor de abastecimento da Petrobras, "seja com a não-interferência nessa nomeação e no funcionamento do esquema criminoso, seja com o fornecimento de apoio político para sua sustentação". Janot acrescenta que, na época, o senador era forte candidato à reeleição e nome de relevo do PMDB, partido da base do governo e um dos responsáveis pela Diretoria de Abastecimento da Petrobras.
Conforme as investigações da Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa solicitava e recebia pagamentos ilícitos de empresas mediante a celebração de contratos com a Petrobras, para que elas recebessem benefícios indevidos da estatal. Parte desses valores eram repassados a agentes políticos para assegurar sua permanência no cargo e a manutenção do esquema criminoso.
Segundo a denúncia, a propina foi acertada entre Alberto Youssef e Maria Cléia Santos de Oliveira e, seguindo determinações de Valdir Raupp, os recibos foram emitidos por Pedro Roberto Rocha. Janot afirma ainda que os pagamentos foram feitos em favor do Diretório Estadual do PMDB de Rondônia, nos valores de R$ 300 mil em 27 de agosto de 2010 e R$ 200 mil em 1° de setembro de 2010.
Pedidos - A denúncia oferecida no Inquérito 3982 pede a condenação de Valdir Raupp e dos assessores parlamentares pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além da perda das funções públicas. O PGR também quer a reparação dos danos materiais e morais causados no valor mínimo de R$ 500 mil, equivalente ao valor da propina.
