Campanha #SalveoBoto é abraçada por Angra dos Reis (RJ) e redes sociais
O boto-cinza está morrendo. O aumento excessivo dos grandes empreendimentos na Baia de Sepetiba, a pesca irregular, predatória, o lixo e a poluição alteraram o habitat do golfinho na Baia de Sepetiba, em Angra dos Reis (RJ), elevando, de forma descontrolada, a mortalidade do mamífero (170 mortes só nos últimos três anos) e colocando o boto-cinza na lista dos animas em risco de extinção. O “grito de socorro” em prol dos mamíferos que, de topo de cadeia alimentar, passaram a vítimas das ações humanas, foi dado no último domingo, 18 de setembro, em uma manhã de sol em Angra dos Reis (RJ), com o lançamento da campanha “#Salve o Boto – não deixe o boto virar cinzas”.
O local escolhido para o evento foi a praia do Bonfim, em Angra, de onde se avista a pequena ilha da Capela do Senhor do Bonfim, construída por volta de 1780. A beleza idílica e cinematográfica do cenário contrastava com o tema árduo em debate nas areias da praia: a necessidade de todos se unirem para salvar o golfinho. A campanha foi abraçada por jovens, autoridades, atletas (inclusive três com necessidades especiais) e cidadãos angrenses, que realizaram uma ação de canoagem para recolhimento de lixo.
O objetivo da campanha é conscientizar a população e cobrar as autoridades para que garantam a proteção do boto-cinza, sob risco de extinção em um dos seus principais habitats no Brasil, a Baía de Sepetiba, no Rio. O alvo da campanha são as redes sociais, como estratégia de comunicação a replicação da hashtag #SalveoBoto e até o próximo dia 8, os canais de comunicação oficiais do Ministério Público Federal (MPF) divulgarão posts, vídeos e matérias sobre o assunto, estimulando o uso da hashtag que dá nome à campanha, realizada em parceria com a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e o Instituto Boto Cinza.
Para a campanha, foi criado o mascote Acerola, um carismático boto que gosta de surfar e nadar com sua família pelas águas da baía. O nome é uma homenagem ao boto-cinza encontrado morto em junho de 2016 na Baía de Guanabara. Monitorado por cientistas desde o seu nascimento, marcas no animal indicam que Acerola morreu afogado em uma rede de emalhe, uma das principais causas de morte do boto-cinza. As redes de emalhar são um instrumento de pesca passiva em que os peixes ou crustáceos ficam presos em suas malhas devido ao seu próprio movimento.
Desde sempre, pescadores artesanais conviviam harmonicamente com o boto-cinza. Contudo, a instalação dos grandes empreendimentos na Baia de Sepetiba, em especial a partir de 2010, sem um licenciamento criterioso, criou áreas de exclusão e fez com que a pesca artesanal entrasse em conflito com boto-cinza.
O boto-cinza é um dos menores golfinhos existentes no Brasil e pode ser encontrado desde o Amapá até Santa Catarina. A espécie está ameaçada de extinção e, na Baía de Sepetiba, pode desaparecer em menos de dez anos.
Lançamento da campanha #SalveoBoto - No lançamento da campanha, a procuradora da República Monique Cheker falou da importância do trabalho conjunto dos órgãos de fiscalização para a proteção do boto-cinza. “Sem a atuação do grupo, não seria possível o MPF atuar para ajudar a salvar o boto”, afirmou.
O Grupo de Fiscalização na Baía de Sepetiba é formado por representantes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Polícia Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Ibama).
De acordo com a procuradora da República, a campanha é para “chamar atenção para o gravíssimo problema de mortandade do boto-cinza. Se eles são o topo da cadeia alimentar e estão morrendo, significa que o restante da cadeia está toda prejudicada”, alertou.
Na ocasião, também falaram o Instituto do Boto-cinza e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), além da participação de representantes da Fundação de Turismo de Angra, Polícia Federal, Prefeitura de Angra, Inea e Ibama.
“O ser humano pensa como se estivesse à parte do ecossistema e isso é perigoso. Se pensarmos de forma sustentável, de como podemos viver em harmonia com a natureza, teremos um futuro bem melhor, para o turista, o morador e para os animais que habitam a Baia de Sepetiba”, analisou o coordenador do (IBC), Leonardo Flach.
O Laboratório de Mamíferos Aquáticos da UERJ - Maqua - alertou que os riscos de desaparecimento do boto-cinza são concretos e reais. A espécie não irá suportar tantos fatores que lhe prejudicam a sobrevivência.
Ação de canoagem para a retirada do lixo do mar - A canoísta Cármen Lúcia da Silva, do Comitê da Confederação Brasileira de Canoagem, conduziu, ao lado da procuradora da República Monique Cheker, os voluntários rumo à praia da Bica para recolherem o lixo jogado no mar e trazido até a praia pela maré. A ação foi um ato simbólico de como todos podem contribuir, de certa forma, para salvar o boto-cinza.
“O lixo prejudica o ecossistema do boto-cinza, deixando-o subnutrido. O tamanho dos botos-cinza vem diminuindo substancialmente, se comparado a outras épocas. Isso se deve não somente à sobrepesca, à diminuição do estoque pesqueiro, mas também à poluição. A saúde do boto-cinza é um dos indicadores da saúde dos locais onde vivem”, ressaltou a procuradora da República Monique Cheker.
O boto-cinza atua como um sentinela da poluição. Os poluentes afetam o sistema imunológico do boto e comprometem a imunidade e o sistema reprodutivo. Além de não conseguir se reproduzir, ele morre de doenças.
Durante a canoagem, foram recolhidos mais de 30 quilos de lixo (sacolas plásticas, garrafas PET, embalagens de biscoito, roupas e chinelos). A ação terminou às 13 horas, quando os atletas foram recebidos de volta na praia do Bonfim com uma mesa de frutas, para recarregar as energias depois de mais de duas horas remando em prol dos golfinhos. Para mais informações da campanha, acesse e divulgue o site www.salveoboto.mpf.mp.br.
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